É engraçado como algumas coisas acontecem: simplesmente não fiz nada para diversas pessoas e simplesmente elas preferem me evitar só por prazer de tentar desestabilizar tudo. Pelo menos é assim que eu vejo, afinal, por mais implicante que eu seja, quando alguém novato se aproxima sempre dou uma chance para que este se apresente e tente fazer uma melhor imagem. Sempre fui assim. Nunca me fechei a alguém desta maneira. Além desta implicância sem fundamento também vejo outra coisa acontecendo, mas que já estou, de certa maneira, acostumado: uma pessoa extra que surge na história e muda um pouco o fluxo das águas.
O primeiro ponto que toquei é uma “reclamação” antiga, uma observação que surgiu desde o início do meu relacionamento, mas que já estava sendo resolvida de uma maneira respeitosa: eu não me meto com a vida de vocês e vocês não se metem com a minha. Fluía mais ou menos assim. Ou pelo menos eu achava que fluía assim até que voltei a perceber que minha imagem continua devastada e que ainda há uma preferência por uma outra pessoa e aí começa o segundo ponto.
Que eu sou ciumento não é novidade. Costumo dizer que sou um ciumento liberal. Não sou daqueles de querer controlar horários, lugares, amizades e tudo mais. Acho que isso é totalmente fail e desnecessário. Não vejo função, não vejo algo importante quando isso acontece, que é a confiança no parceiro. E isso, graças a Deus, eu tenho. Confio nele e creio que ele confia em mim também. Então a questão do ciúme também era controlada. Não tinham gatilhos para detonação de uma crise. Tudo seguia bem.
De uns tempos pra cá algumas coisas começaram a acontecer e isso começou a me incomodar um pouco. Não nasci ontem e, além disso, minha “bola de cristal” adora me passar informações a este respeito. Tudo começou há algumas semanas quando tive um sonho com uma pessoa que eu nem conhecia. Estranho, bastante estranho, só que essa pessoa começou a marcar presença nos meus sonhos e na minha vida. E aí fiquei com aquela questão na minha cabeça: há motivos para eu me preocupar ou posso deixar tudo do jeito que está sem problemas?
Conversei com o meu namorado a respeito disso e ele falou que eu não precisava ficar preocupado com isso. Que a tal pessoa era só amiga dele e que tudo estava normal como antes, mas no fundo não sentia isso. Eu continuava tendo os sonhos, comecei a ter sensações mais fortes e nada, nem o Rivotril, nem o Seroquel, nem o Toptil, conseguiam me fazer pensar em alguma outra coisa, me desfocar destes pensamentos estranhos que só aumentavam a cada dia que passava. Bastante tenso!
Voltei a conversar com o meu namorado a respeito desse assunto e ele me passou segurança. Me mostrou que talvez eu estivesse “sofrendo” sem necessidade alguma. Eu acreditei e acredito nas palavras dele, mas alguma coisa dentro de mim continuava falando para eu ficar antenado nesta outra pessoa. E essa mesma coisa que me falava para ficar atento dizia que era para eu não sentir raiva, mas apenas observar tudo e que tudo ia se desvendar com o tempo. Isso, óbvio, me gerava uma ansiedade imensa, me deixava totalmente sem controle.
Pois bem, na semana da minha viagem a Porto Alegre, bem no dia da viagem, fizemos quatro meses juntos e saímos para comemorar no dia anterior, afinal não teria como comemorar no dia, infelizmente. Foi uma comemoraçãozinha simples, nada de espetacular, mas valeu a pena. Foi bom estar com ele durante aquelas horas, andar pelo shopping, assistir a um filme que ele queria, quase congelar dentro do cinema, lanchar juntos e tudo mais. Nada tenho a reclamar deste dia. O problema só retornou quando cheguei em casa. Comecei a sentir uma sensação estranha, um aperto no peito, uma tonteira, sentia o meu rosto queimar e tudo mais. Minha pulsação passou da casa dos 100. Achei que tudo fosse por causa da viagem, ansiedade e tal. Fiquei com esses sintomas ainda mais elevados quando ele me mandou uma mensagem dizendo que estava com uma sensação estranha. Isso me desmoronou um pouco. Comecei a ficar com medo, a ter uma sensação de vazio, de perda. Confesso que por um momento achei que quando voltasse de viagem meu namoro estaria terminando e que iríamos apenas oficializar o fim.
Ah sim, esqueci de dizer que tive uma série de pesadelos também nos dias anteriores a viagem e durante também. Foram sonhos nada agradáveis que me deixaram bastante mal, coisas que não quero ficar relembrando para não ficar triste de novo.
Mas enfim, voltando ao que estava falando, eu em Porto Alegre e ele aqui no Rio. Minha crise, vamos chamar assim, só aumentava. Cada dia por lá eu me sentia pior. Era meio desesperador. Vontade de chorar, me sentia mal, meu rosto queimava, ficava tonto, via tudo escurecendo na minha frente, minha pulsação disparava e nada, como já disse, me fazia voltar ao normal. E isso só me deixava pior. Eu queria poder curtir a minha viagem. Queria poder me divertir por lá, queria fotografar tudo e não tinha vontade, não tinha ânimo algum para nada. Era uma aflição enorme que me consumia dia e noite, tudo aparentemente sem explicação. E o que eu poderia fazer? Nada! E como melhorar fazendo nada? Não sei.
Os piores dias para mim foram domingo e segunda. Eles pareciam que nunca iam terminar. Dias intermináveis, longos, dolorosos e tudo mais e eu não queria atrapalhar a viagem dos meus pais e tentava fingir, tentava demonstrar que tudo estava bem. Não era justo bem no dia do aniversário de casamento deles eu entrar em uma crise, parar com tudo e ficar trancado no hotel. Eles planejaram essa viagem para comemorar a data em família e eu tinha que ser forte para encarar tudo isso, mas que foi tenso e complicado… ah foi.
Na segunda minha angústia era tanta que acabei remarcando meu voo para quarta-feira de manhã. Queria voltar para casa, onde ia me sentir mais seguro, onde ia poder me encontrar com ele, onde ia poder conversar e tudo mais o quanto antes. Não estava aguentando mais ficar lá longe sem saber o que estava acontecendo, sem saber o que ia acontecer, sem saber o que estava acontecendo comigo, dentro de mim. Pode parecer besteira, mas me sinto mais seguro aqui em casa, no meu quarto, com as minhas coisas. É um jeito que eu tenho, que eu gosto e que me faz muitíssimo bem.
De volta ao Rio, tudo foi quase tranquilo no retorno (não vou contar como foi o retorno por não ter necessidade. Depois, quem quiser, me pergunte que eu digo), fiquei aqui esperando a hora dele chegar para me ver. Estava ainda bastante ansioso, mas pelo menos agora eu sabia o motivo: queria matar a saudade que estava sentido e queria conversar com ele para tirar essas coisas ruins da minha cabeça com relação a esta outra pessoa. Achava que só desta maneira tudo ia melhorar para mim e que as coisas iam voltar a rota.
Quando ele chegou aqui desabei de felicidade. Me senti tão mais seguro, tão mais feliz, mesmo com a minha voz falhando em alguns momentos numa mistura de felicidade, ansiedade e outros sentimentos bons e ruins. Tudo que eu queria naquele momento era ficar abraçado com ele e esquecer do resto do mundo, esquecer do restante das coisas. Pensar apenas que eu ia ser feliz ao lado dele e pronto. Não queria mais absolutamente nada. Só queria paz, muita paz, como sempre.
Bem, mas não tinha como ficar só matando a saudade. Precisava conversar com ele, precisava saber dele um pouco mais a respeito destas coisas que estavam acontecendo comigo e tudo mais e essa conversa começou na quarta-feira e “terminou” ontem, quando ele voltou aqui em casa. E depois dela muitas coisas começaram a ficar mais claras para mim. Várias coisas começaram a fazer sentido. Muitas coisas agora possuem uma explicação e tudo mais. Ou melhor, não sei se possuem realmente uma explicação, afinal alguns fenômenos são inexplicáveis, porém, dentro de um limite, de um ponto de vista, agora tenho uma explicação, mesmo que interna, para tudo que senti.
Como desconfiava… esta pessoa que surgiu está interessada no meu namorado. O meu ciúme não foi sem explicação. Não costumo ficar enciumado por ficar. Geralmente quando fico é porque existe alguma coisa extra na história. Eles conversaram a respeito disso no domingo (dia que entrei na crise) e o meu namorado me contou que ele ficou confuso por vários motivos e pensou em pedir um tempo para tentar se localizar com relação a isso tudo (motivo da minha crise ter aumentado na segunda), mas aí ele conversou com duas amigas que o orientaram a não fazer nada do gênero, afinal “trocar o certo pelo duvidoso” não é muito legal. Ele também me disse que não ia trocar nada e que conversou com essa pessoa, que disse para ele que se terminasse comigo não ia ser para ficar com ele, mas creio que essa pessoa deve ter se enchido de esperanças da mesma maneira, afinal não haveria mais impedimentos para nada.
Ainda durante as conversas fiquei sabendo que ele está bem próximo ao meu namorado, bem mais do que imaginava por vários motivos, principalmente por questões de estudos. Também fiquei sabendo que essa pessoa ficou amigo de alguns amigos do meu namorado e que alguns desses amigos até disseram que preferem ele a mim e sugeriram que o meu namorado fizesse uma troca. Absurdo, né?
Agora estou bem mais tranquilo com relação a esse assunto, mas mesmo assim ainda um pouco pensativo. Creio, de verdade, que essa pessoa não está fazendo nada de propósito, afinal não mandamos 100% nos nossos sentimentos. Muitas vezes não somos culpados por alimentar alguma coisa por uma outra pessoa que já é comprometida. É uma situação ruim, delicada, mas que deve ser mantida só para a gente. Não devemos tentar interferir em nada. Não devemos tentar mudar o fluxo das águas. Podemos até tentar tirar proveito da situação, desde que a situação tenha sido criada sem a nossa intervenção, direta ou indireta, ou seja, se acontecer de um término sem a nossa participação não tem problema dar uma investida, mas enquanto a pessoa está comprometida é algo ruim. Que fique bem claro: não estou dizendo que esta pessoa está fazendo isso. Acredito que não esteja. Acredito apenas que ela se interessou, falou e pronto. As coisas que estão acontecendo são por um somatório de fatores extras com uma pitada deste interesse.
Enfim, como já falei demais, pra variar, vou encerrar dizendo que essa situação que estou vivendo me fez perceber que tenho que dar muito mais valor ao que tenho. Talvez esteja sendo uma excelente lição de vida para mim. Nos meus relacionamentos anteriores eu sempre fiz pouco caso, sempre fui 100% confiante e acreditava que se fizessem alguma coisa contra mim eu ia devolver de maneira muito mais devastadora. Desta vez tudo que não quero é fazer isso. Tudo que mais quero é viver em paz ao lado de quem eu aprendi amar, respeitar, defender, proteger e querer sempre mais. Só quero isso. Outras coisas são mínimas quando comparamos a algo maior. Sentir ciúmes é natural, principalmente quando você ouve do seu namorado que ele foi ao cinema duas vezes com a pessoa que está afim dele, mas não é algo que possa atrapalhar de tal maneira a ponto de gerar uma crise, um término ou algo assim. Pelo menos é como eu penso. Penso que isso vai passar, que vamos comemorar muitos meses juntos, muitos anos juntos e que tudo vai ficar perfeitamente bem.
Ah sim, antes de ser acusado de alguma coisa ou que alguém fique com medo de mim queria dizer só mais uma coisa: Eu não tenho raiva desta pessoa. Não desejo mal a ela. Não quero confusão, não quero problemas. Queria, se for possível, ter até mais contato com ela, poder conversar e, quem sabe, me tornar amigo dela também e num futuro rir disso tudo que está acontecendo agora. Talvez aquele trecho da minha oração favorita
“fazei que eu procure mais // consolar, que ser consolado // compreender, que ser compreendido // amar, que ser amado // Pois é dando, que se recebe // Perdoando, que se é perdoado”
encaixe-se perfeitamente aqui. Não que a tal pessoa seja minha inimiga, afinal nem a conheço. Mas antes que comecem fofocas falando que eu estou fazendo isso ou aquilo, que disse isso ou aquilo, que fui o causador, o semeador da discórdia, já me coloco de braços abertos para abraçar quem quiser. De peito aberto para receber quem tiver que receber. E pelo que ouço falar essa pessoa deve ser bem legal como 99% dos taurinos são.
E é isso. Obrigado pela atenção e tenham uma boa noite!